15.11.05

O discurso

Este seria o discurso que eu faria se fosse o orador da minha turma de direito, apesar de não ter sido escolhido, pois perdi o prazo para a inscrição e nem pude concorrer, resolvi tornar público o que seria dito naquela ocasião. Afinal este lugar é onde realizo meus sonhos, este blog me permite ser tudo o que eu queira, até o orador da turma.

...



O que dizer da primeira turma de direito da Faculdade Integrada do Recife – FIR. Senhores e Senhoras aplaudam a todos que aqui estão colando grau. Estes são os pioneiros, os vencedores, os sobreviventes de um longo e árduo processo seletivo.

No início éramos 100, hoje estamos aqui em 30, o que nos leva a um tempo passado quando estávamos todos ingressando no curso de direito da FIR. Éramos tantos e com tantos sonhos. Alguns tão jovens e outros nem tanto, mas todos tomados pelo mesmo sentimento de sucesso. Afinal, estávamos dando os primeiros passos rumo a tão almejada carreira jurídica. Todavia as pessoas que viveram e fizeram parte dessa história guardam consigo a certeza de que fizeram parte de algo indescritível, real, e que jamais passará em suas mentes. A todos que fizeram parte da primeira turma de direito da FIR, é que dedico esse discurso.


Aula magna, fórum do recife, salão nobre, e diante de nós o futuro. Futuro este cheio de incertezas, desafios, lutas travadas no dia-a-dia. Éramos titãs a enfrentar as aulas nos períodos de férias, janeiro, fevereiro, quem de nós não tem a lembrança viva daqueles dias de muitos sacrifícios.

E quanto aos que nos deixaram, lembremos de cada um deles, foram tantos e cada um deixou em nós a sua marca, fomos uma turma especial, é verdade, como especiais são os vencedores.

Havia a turma do dominó, das primeiras filas de cadeiras, do fundão, as meninas, as senhoras, os rapazes e os senhores, uma turma tão heterogenia quanto unida no propósito de levar a cabo a missão, de ser o pelotão de frente nesta batalha de posicionamento, do nosso curso de direito no mercado pernambucano.

E os nossos professores? Quem não lembra de Marcos André e seu terror, hoje rimos disso, naqueles tempos de segundo período perdemos o sono. Foram tantos os mestres, alguns permaneceram conosco até aqui, outros se foram, fizeram amigos, deixaram saudades...

E como disse a canção “coração de estudante, há que se cuidar da vida...” lutamos diariamente essa batalha para fazer do curso de direito da FIR o melhor de todos, não pela biblioteca, que muitas vezes nos deixou em estado de pânico, não pelo calendário que em algum momento foi cruel e nos fez sacrificar finais de semanas e férias com os nossos familiares, mas sim pelos que aqui estão vitoriosamente colando grau, somos o que há de melhor desta faculdade, somos a matéria humana, a massa que foi amassada, espremida, colocada no forno e desta fornalha saíram os futuros advogados, juízes, membros do ministério público, procuradores, acadêmicos, enfim toda uma geração de operadores do direito que foram forjados para vencer.

Mas afinal o que somos senão um apanhado de nossas escolhas, entre as alternativas que estiveram ao nosso alcance. Então não é uma questão de escolhas, mas de oportunidades, de onde nascemos, de como nascemos, e de como somos criados. Somos fruto do meio, e reagimos a este de acordo com as ferramentas de que dispomos, as que estão ao nosso alcance, ao alcance de nossa capacidade de perceber conforme fomos construídos.

O homem é um projeto e seu resultado dependerá dos elementos que lhe compõem. Mas então onde fica aquele impulso inexplicável que nos faz ir contra o nosso destino, o plano a que fomos submetidos? Nisto vemos a essência do ser, algo inexplicável, que cada um carrega consigo, que não advém do meio, ou da genética, é o sopro de Deus que nos toca, dando a cada um instintos com os quais podemos mudar nossa história, lutando contra as evidências, indo de encontro àquilo que seria esperado de nós, rompendo com todas as expectativas, fazendo o inesperado, construindo com ferramentas adaptadas a nossa obra, isto nos diferencia do resto dos animais que povoam a terra, nosso espírito, que faz de nós seres humanos.

Sim colegas, somos mais que vencedores, somos sobreviventes deste cruel e implacável processo de seleção, chegamos ao fim desta caminhada com a certeza de que como disse o apostolo Paulo, “combatemos o bom combate”, estamos agora diante do futuro, e o que o futuro nos reserva?

Nós seremos condutores de nossas vidas, cada um seguirá uma carreira, mas em todos nós, onde quer que nos embrenhemos, teremos a marca das lutas e das vitórias que alcançamos em nossa trajetória.

Eu vejo um amanhã onde cada um de nós levará consigo a bandeira da ética, da moralidade, do profissionalismo, seremos defensores dos princípios que tão profundamente foram encravados em nós, princípios estes que formam o profissional do direito que faz a diferença. Não seremos meros coadjuvantes na história, não! Vejo aqui verdadeiros revolucionários da justiça, guerrilheiros dos direitos do cidadão, defensores dos princípios basilares do direito. Seremos vistos como a geração que não se acomodou com a busca pela riqueza e poder, não que isto nos seja negado, mas será a conseqüência de uma vida jurídica pautada na sensatez, lealdade, honestidade e acima de tudo na fé no ser humano.

Afinal para quê serve o direito, senão para o bem do homem, e este bem estar deve ser perseguido por cada um de nós na carreira que abraçarmos, não seremos Juízes, mas sim aplicadores da justiça, não seremos advogados, mas sim defensores dos direitos dos homens, não seremos membros do ministério público, mas sim guardiões das leis, não seremos professores, mas sim mestres na formação doutrinária das novas gerações. Mas tendo em mente que a flecha lançada passa a ter vida própria depois que sai de nosso controle. Não há como garantir que acertaremos o alvo. Então resta-nos a tranqüilidade de que fizemos tudo conforme nos dispomos, seguramos o arco com firmeza e miramos bem o alvo.

Somos todos flechas lançadas em direção ao futuro, e queira Deus, acertemos o alvo. Mas quero firmar com vocês ao final um compromisso, seremos sempre o orgulho deste novo curso jurídico do Recife, pois jamais esqueceremos o quanto foi duro chegar até aqui.

3 Comments:

Blogger nine said...

Aplausos de pé!

Clap! Clap! Clap! Clap! Cláp!

;)

9:08 AM  
Blogger Infinit said...

EXCELENTE!
Parabéns!
pelo discurso e pela formatura!

Um beijo enorme!

11:00 AM  
Anonymous Plínio Dumont said...

posso usar o seu discurso em minha formatura, claro que com algumas modificações, mais sem tirar a originalidade, exelente, parabens.

2:55 PM  

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