10.8.05

Encontros e desencontros

Mote de Amor
Que o meu coração seja o teu descanso
No meu peito a tua guarita,
Que o teu pranto seja o meu pranto
A tua dor por mim sofrida
A saudade é uma chama que arde dentro da gente...

A cidade está deserta e pela janela do meu quarto entra o vento frio da saudade, o silêncio da noite só é quebrado pelo toque de meus dedos no teclado, diante de mim só lembranças do último fim de semana. Uma viagem, a chegada, a espera, o encontro...

O encontro foi singelo, um sorriso um abraço e o convite para o jantar. Sua amiga declinou e preferiu deitar-se para descansar da viagem, isto foi muito gentil e conveniente. No Jantar alimentamos a alma, falamos do passado e do presente, dos desencontros que a vida nos proporciona. E ela com aquele sorriso...

Encontrei nela uma dama, não como estamos habituados a definir, encontrei nela uma mulher que tem classe até para caminhar à noite por uma estrada de barro. Seus gestos, seu olhar, ah! O seu olhar tem tanta doçura e tanta força juntas. Devíamos ter caminhado juntos naquela noite escura na praia, mas minha razão nos impediu, não poderia expô-la ao perigo de um assalto ou algo pior. Com ela eu não me atrevo a correr riscos. Quero protegê-la, cuidar de seu bem estar. Quero servir-lhe o café na cama. Massagear seus pés. Cobri-la de beijos e no seu ouvido sussurrar poesias. E como ela é linda...

Dias longe se passaram que a lembrança traz agora...

Os anos não lhe atingiram, ela continua a mesma garota que eu um dia vi passar por mim sem ao menos me olhar, e quando me olhou sorriu, e foi esse sorriso que abriu as portas do meu coração. Já se passaram 25 anos dede o primeiro encontro e ainda sinto a mesma sensação ao encontrá-la, as pernas enfraquecem, o coração dispara, o corpo aquece, e as palavras ficam difíceis. E como sua voz é suave...

A vida segue o seu rumo na estrada do destino...

No dia seguinte acordei tão só, havia um silêncio perturbador, um vazio incomensurável, mas ali tão perto estava ela, parei diante de sua porta e fechei os olhos em busca de sua imagem. Segui meu caminho de volta. Na viagem as imagens se repetiam e como num filme eu assistia a mim mesmo naquele encontro. Sinto que a perdi novamente, desta vez para o tempo, as circunstâncias, a distância, e tudo o que de sua vida restou. Eu ainda estou só e caminho entre as ruas do Recife à noite, e quando olho pro céu e vejo o cruzeiro do sul lembro dela. E como é bom sentir no peito bater o coração.
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Sonho de um amor

Sonho em amar-te desesperadamente
Ver-te ao longo do caminho
Ter-te sempre em minha mente
E por assim sonhar jamais ficar sozinho.

Sonho em beijar-te a boca suavemente
E te olhar nos olhos, e te tocar a pele.
E te aperta nos braços e assim de repente
Sentir arrepiar do corpo todo pêlo.

Sonho como uma criança, e inocentemente
Desejo em vão tocar o inatingível
E ter em mim o teu amor eternamente.

Sonho então este sonho incrível!
No entanto em pranto, creio firmemente,
Que não te amar assim seria impossível.


Recife 03 de julho de 1999

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