27.11.05

Uma partida de futebol


O sonho acabou! Nada que se diga sobre o jogo de ontem poderá explicar o que aconteceu, o estádio estava lotado, o time jogou melhor, o juiz ajudou, tivemos oportunidade de cobrar duas penalidades máximas, foram expulsos quatro jogadores do Grêmio. Perdemos em todos os sentidos, o jogo, a compostura, a alegria e a esperança.

Nunca vi em meus quarenta anos de vida uma alegria tão contagiante como a de ontem, no estádio o clima era de euforia, havia um misto de orgulho e solidariedade entre os pernambucanos, dois times do estado, representando o nordeste, contra dois times um do sul e outro do sudeste, representando a separação entre nordeste e sul. O hino de Pernambuco era cantado com entusiasmo cívico. A vitória do Santa Cruz contra a Portuguesa fez ecoar nos Aflitos o grito “Ah! É Pernambuco!”. Neste dia não havia rivalidade entre os pernambucanos, estavam todos imbuídos do mesmo sentimento de satisfação em fazer calar a impressa do sudeste que insistia em ignorar nossos briosos clubes de futebol.

A vitória do Grêmio era dada como certa, e isto se transformou em forte motivação para os Alvi-rubros. No fim foi uma guerra. E o pior é que fomos vencidos. Onde estava a garra do nosso povo acostumado a grandes batalhas, onde estava o sangue de heróis rubro-veio, que lutaram contra a escravidão, que deram o primeiro grito por uma nação livre, que expulsou os invasores holandeses e decidiu devolver o estado à coroa portuguesa?

Este povo de grandes lutas, de grandes sacrifícios estava habituado a encontrar dentro de si a força necessária para a superação. Mas no fim perdemos. Havia no inconsciente coletivo uma necessidade de superar nossas diferenças nacionais. O regionalismo estava presente naquela partida, não era simplesmente um jogo de futebol. A impressa local sempre que teve oportunidade deu outro enfoque ao evento. Seriamos os redentores do orgulho pernambucano. Depositamos na possibilidade de ascensão dos dois clubes pernambucanos contra os representantes do sul e do sudeste, a nossa afirmação como um grande estado da federação.

Salve o tricolor pernambucano que não permitiu que a frustração fosse completa. Triste fim teve o Clube Náutico Capibaribe que sucumbiu diante do destemido Grêmio de Futebol Porto Alegrense. Aos vencedores à glória, aos perdedores às lágrimas e explicações. Mas para nós que vivemos aquele fatídico dia, nunca haverá uma explicação.
Letra do Hino do Estado de Pernambuco
"Salve! Oh terra dos altos coqueiros!
De belezas soberbo estendal!
Nova Roma de bravos guerreirosPernambuco, imortal! Imortal!
Coração do Brasil! em teu seio
Corre sangue de heróis - rubro veio
Que há de sempre o valor traduzir
És a fonte da vida e da história
Desse povo coberto de glória,
O primeiro, talvez, no porvir.
Esses montes e vales e rios,
Proclamando o valor de teus brios,
Reproduzem batalhas cruéis.
No presente és a guarda avançada,
Sentinela indormida e sagrada
Que defende da Pátria os lauréis.
Do futuro és a crença, a esperança,
Desse povo que altivo descansa
Como o atleta depois de lutar...
No passado o teu nome era um mito,
Era o sol a brilhar no infinito
Era a glória na terra a brilhar!
A República é filha de Olinda,
Alva estrela que fulge e não finda
De esplender com seus raios de luz.
Liberdade! Um teu filho proclama!
Dos escravos o peito se inflama
Ante o Sol dessa terra da Cruz!"

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