22.8.05

O tempo está fechando, vem surgindo uma tempestade.


Fecho os olhos e sinto o mundo em minha volta, não o mundo físico a que estamos adstritos, mas o mundo etéreo fruto de nossos pensamentos, resultado de nossas impressões.

Quem somos? O que somos? O que realmente motiva a nossa razão? São tantas perguntas, tantas teorias para respondê-las, mas o que importa é saber se sou feliz com o que projeto como verdade. Não a verdade absoluta, essa eu desconheço, mas a verdade subjetiva, aquela que se justifica nos meus fundamentos filosóficos. Sejam eles frutos de uma experiência empírica ou de uma teoria aceita por mim como suficiente.

Penso que existo num mundo muito particular, não uma particularidade esquizofrênica, mas sim, como uma forma de perceber os apelos de minha alma. Sinto-me, muitas vezes, como aquele ser inquieto com os paradigmas de seu tempo, que reage a mesmice ortodoxa para encontrar na negação a sua divisa.

Sou como Fernão Capelo Gaivota que não se limita a voar para comer, voa sim para encontrar o inatingível, para vencer os limites, para ir além daquele mar de gaivotas, ainda que isto possa lhe custar a reputação.

Vivo minhas próprias verdades, para muitos tão impróprias, mas sigo nesse caminho sozinho. Não faço discípulos, não busco seguidores, mas tenho certeza, de que como Fernão, não sou o único da espécie, sei que em algum lugar estão reunidos muitos como eu, ainda que separados fisicamente ou até mesmo cronologicamente, muitos iguais a mim viveram nessas terras de nosso planeta azul. Bethoven, Van Gogh, Castro Alves e tantos outros viveram suas próprias realidades, envoltos em solidão, ansiedade, angustia e uma força criadora que os impulsionava a continuar até mesmo quando a surdez, a loucura, a tuberculose e todos os demais obstáculos lhe sobrevinham.

Não! Não quero dizer que sou um gênio como estes a quem me refiro, existem muitos outros que padeceram do mesmo destino e tiveram suas vidas destroçadas pelo insucesso e por toda sorte de desalento. Socorro-me daqueles, entre muitos, gênios incompreendidos em seu tempo, para destacar que meu estilo de vida não é de todo prejudicial ou mesmo improdutivo.

Gosto de andar pelas ruas desertas na madrugada fria, e enquanto caminho, vejo os meus fantasmas a me acompanharem, sigo entre os sonhos que me aprazem e observo tudo o que está em minha volta. Posso ouvir a música guardada em minha mente, ou sentir o beijo que me arrebatou em tempos passados, contemplar a imagem da mulher amada, sentir no corpo o toque de sua mão.

Mas nem por isso posso ser classificado de escravo do passado. Afinal o que é o passado senão o ocorrido ontem e o ontem por vezes está tão perto. Hoje eu eternizo o ontem, mas não deixo de viver novos momentos, apenas me permito alimentar cada momento de prazer fazendo-o maior que o seu tempo. Gosto de sentir novamente o cheiro de um perfume agradável, ainda que nada o exale. Gosto de sentir o gosto de um beijo emocionante, ainda que minha boca não seja tocada. Gosto de viver o êxtase de um amor, ainda que meu corpo esteja só.

Crio mitos, deuses, perfeições só para meu deleite e prazer. Vivo entre Ninfas, Afrodites e belas Vestais, donas de irretocável beleza e irresistível sedução. Creio na perfeição plástica do momento, ainda que os atores deste momento sejam bufões. Faço reais os meus sonhos e deles me alimento para encontrar na realidade algo semelhante.

Todavia quando amo o faço com todos os sentidos, com todo o meu ser em toda a sua plenitude. Vivo intensamente cada momento de minha vida. Entrego-me sem restrições aos instantes de paixão dos quais desfruto. Aceito sem questionamentos os amores que me vêem. Envolvo-me sem culpa com quem amo. Por fim aceito tranqüilamente as conseqüências dos meus atos.

Mas como todo o ser que habita neste mundo, levanto todos os dias e batalho como qualquer mortal pelo pão de cada dia. Trabalho duro e me esforço, submeto-me a todos os processos necessários àqueles que buscam adquirir bens e riquezas, talvez o que me diferencie dos demais seja a minha motivação, luto para poder viver os meus sonhos e não aqueles que sonharam para mim.

Tenho certeza de que nada é de todo mau ou bom, tudo é uma questão de perspectiva. Sou movido à paixão, dela sou dependente, nela me motivo. Paixão pela vida, pelo meu Deus, por mim mesmo, pelos meus sonhos, pelo meu trabalho, pela profissão que abracei, pelo socialismo, pela política, por minha família, pela aviação, pelo mar, pelo sol, pela liberdade, pelo amor de uma mulher.

Viver é uma arte, muitas vezes incompreendida, amar é o sentido da vida.
Viver sem amor é estar morto!
Sinopse de um poema

Sentado à beira do caminho,
Longe de você...
Sozinho,
Perdido em meus pensamentos vou até você.
Sonho em tocar tua pele,
Sonho em estar junto a você,
Sonho...
Um dia um sonho fez-me pensar um soneto,
Hoje sozinho,
Sentado à beira do caminho lembro de você.
(Frederico Pereira - AMT)

1 Comments:

Blogger Infinit said...

Fred, Fred, Fred...

Você tem uma agendinha?
Onde possa escrever assim:
Dia tal do mês tal tenho compromisso com a Bete para sentarmos de frente pro mar e conversarmos sobre aquele post do ser ou não ser, eis a questão? hehehe
Com todo o perdão da palavra, putaqueopariu!
Eu já tinha um pouco de noção das nossas afinidades, mas esse texto veio coroar de verde e amarelo esse elo. Que coisa rapá!
Somos dois indagadores das coisas do mundo ou será que somos dois perdidos mesmo?
*@*
Ai ai... como eu adoro vir aqui e encher de baboseira. hehehhe
Mas voltando à razão...
Fred, meu amigo, você pode tudo com as minhas coisas também.
Vai tomando conta. Pega logo a P&@¨#! do poema que eu fiz e coloca aqui. Se quiser dizer que é seu também, sinta-se à vontade. hehehe Ce pode tuuuuuuuuudo, comigo! HAHAHAHAHA Credo. Tou muito facinha! Xô me controlar!
E temos mais alguma coisa em comum que você percebeu além de nos amarmos de um jeito que só nós compreendemos? Já puxei o banquinho pra ouvir suas histórias!
*@*

Um beijo com gosto de caldo de cana que não sei bem o que significa aí, mas aqui é doce pra chuchu.

Love!

11:15 AM  

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