26.8.05

Introspecção II

(A imensidão do Cosmo - Somos tão pequenos)

Há momentos em que o melhor a fazer é ouvir em silêncio o que o cosmo tem a dizer. Somos parte de um todo que muitas vezes não compreendemos. Somos menores do que nosso ego tende a indicar. Nossas verdades são tão frágeis que ao menor sinal de enfrentamentos ficamos aflitos.

Tenho observado o comportamento humano, buscando compreender o senso comum quanto a muitos aspectos em que muitas vezes divirjo. Existe na maioria das pessoas a idéia de que temos que ser fortes, seguros, muitas vezes dissimulados. Pergunto-me como podemos assumir tais características como se fosse um gabarito. Somos humanos, e como tal frágeis, não há como ser diferente, basta um sopro para nos derrubar. Como podemos ter tanta segurança sobre tudo se nem ao menos sabemos do nosso mundo. Onde está o alicerce que gera toda essa segurança?

Entendo que devemos ter um comportamento seguro em alguns aspectos da vida, aspectos esses sobre os quais podemos influir. Mas existem coisas que estão fora do nosso controle, podemos até agir com cuidado, dando pequenos passos, mas dificilmente poderemos ter a certeza de que tipo de resultado será obtido, para isto temos apenas a vaga impressão.

Há alguns tópicos atrás abordei algo sobre conseqüências e fiquei de voltar ao tema em outra oportunidade, creio que o momento agora é propício para pensar sobre isto.

Pautamos nossas vidas num modelo de resultados, onde para toda ação previamente estipulada caberá um resultado provável, tido muitas vezes como certo.

Se alguém estuda, obtém uma profissão e trabalha duro no fim terá uma vida estável e bem sucedida. Se você encontra uma pessoa que ama, com quem se identifica, e combinam no projeto de vida, poderá com ela construir uma vida a dois e será feliz. E assim temos o modelo de combinação de elementos para a obtenção de um determinado resultado. Esquecemos então do fato inesperado e improvável, sobre o qual encontramos elementos na Teoria do Caos.

Quando eu era apenas um menino inocente e feliz ganhei um caleidoscópio da minha mãe. Era um tubo de uns vinte centímetros com uma abertura em um dos lados por onde se via as várias figuras formadas pelo simples girar do cubo. Era impressionante como as figuras não obedeciam a uma ordem em sua formação, tudo era aleatório, para mim era mágico, meu tubo mágico tinha vontade própria.

Como criança eu viajava numa insistente curiosidade de como funcionava aquele instrumento em minhas mãos. Até que um dia aconteceu o inevitável, abri o cubo esperando encontrar engrenagens sofisticadas ou dispositivos de encaixe que formariam as figuras. Qual não foi a minha decepção ao constatar que ali dentro havia apenas pequenos fragmentos que diante do espelho assumiam aquelas formas impressionantes.

Hoje vejo a vida como um grande caleidoscópio de fatos que se cruzam para formar um evento para o qual muitas vezes não temos expectativas. Existem certamente fatores que contribuem para a obtenção de certos resultados, todavia nada garante a certeza destes. Afinal temos os imprevistos, os fatos aleatórios, a teoria do caos. Nada é totalmente previsível.

Então há sempre a possibilidade de que o resultado de uma ação nossa seja inesperado. E é neste momento em que temos que aprender a lidar com algo mais complexo do que o nosso tão conhecido binômio causa-efeito. É quando as coisas fogem do nosso “controle” que precisamos compreender que nada é tão simples, que nem sempre existe uma explicação lógica para tudo.

É nesta busca pela explicação lógica, racional, que nos perdemos. Ficamos analisando cada passo dado tentando encontrar o momento em que nos desviamos do “caminho”. Esquecemos que não se pode prever o futuro, ainda que este seja apenas a reação de alguém a um sorriso nosso.

Ao dizer uma palavra ela foge do nosso controle e não podemos prever os resultados. Claro que não, podemos apenas esperar que tudo atenda ao gabarito de previsível, ao menos do aceitável como tal. Mas nunca podemos esquecer do imprevisível, do caleidoscópio de possibilidades.

Por fim vêem as conseqüências, resultado de nossas ações, omissões de nossos atos e palavras, é o saldo de nossos movimentos. Mas o que há de tão impressionante nisto? Nada! Afinal o que pode ser feito a respeito senão aceitar ou reagir ao resultado final de nossos atos. Mas tendo em mente que a flecha lançada passa a ter vida própria depois que sai de nosso controle. Não há como garantir que acertaremos o alvo. Então resta-nos a tranqüilidade de que fizemos tudo conforme nos dispomos, seguramos o arco com firmeza e miramos bem o alvo.



Sobre nós.

Eu quis ser colo e não tribunal,
Refúgio seguro te fazer bem, não mal.
Sarar feridas e não abri-las,
Ter em você a amada amante,
Eterna amiga.

Quis ser sonho e não pesadelo,
Amigo, amante, eternamente...
Companheiro.

Quis ser alegria e não tristeza
Despertar teus melhores sonhos
Provocar a mais pura alegria
Mostrar-te poesia e beleza.

Ser instante, nunca eterno...

E eterno neste instante.


Eu quis ser escolha,
Ser prazer.
Não culpa.

Se assim não foi
Então,
Só me resta dizer
Perdão...
Desculpa!

Recife 25.08.2005

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